Beijo de mãe para passar a dor

Olha depois de conhecer os resultados da pesquisa feita nos Estados Unidos, reunindo crianças que esfolam o joelho ou sofrem um corte leve no dedo e recebem de imediato aquele “beijinho curador” que toda mãe carrega no bolso em caso de acidentes domésticos, confirmei o que eu (e qualquer mãe) já desconfiávamos: o efeito do carinho é tão positivo, que ajuda efetivamente no alívio da dor que leva os pequenos aos prantos (na verdade, o choro é sempre mais pelo susto e necessidade de abrigo do que pela dor em si?).

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As crianças costumam procurar as mães quando se machucam para ganhar o famoso “beijinho pra sarar”. Isso resultou em um estudo feito pela Universidade de Pittsburgh, mostrando que o beijo dos pais é capaz de ajudar tanto quanto um remédio ou homeopatia para o tratamento da dor.

O estudo verificou 248 crianças que tiveram pequenos machucados ou quedas, notando que quando beijadas por mães ou pais na área da lesão, estas sentiam-se mais aliviadas do que as crianças que não ganhavam beijos e apenas tomavam remédios para dor.

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Essa é a confirmação de que o afeto passado pelos pais pode resultar em benefícios aos filhos. No entanto, houve críticas por parte de homeopatas afirmando que remédios levam tempo para agir e questionamentos sobre a aferição dos resultados. O estudo foi publicado na edição de maio de 2016 do jornal americano “The Journal of American Parenting”. Ele parece estar muito mais ligado a aspectos psicológicos do que físicos, mas nem por isso é menos científico.

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É importante compreender que o estudo comprovou o benefício apenas quando a criança teve machucados e arranhões leves. Vale ressaltar que os pais devem procurar ajuda médica em casos mais graves e sempre que necessário, claro. Mas quando o tal beijinho é pedido, nem ouse negar, ou não prestar atenção, porque esses gestos de proteção e carinho podem transformar o seu filho em um adulto mais seguro, no aspecto emocional.

Segundo a psicoterapeuta Manuela Ferreira de Sousa, mestre e doutora em psicologia clínica pela PUC-SP, “aos olhos da psicologia é super pertinente entender que quando a mãe (ou um pai) acolhe um filho que se sente machucado e demonstra carinho através de uma carícia, pode contribuir sim para curar um pequeno mal ou desconforto. A criança se sente mais integrada e certificada do vínculo de amor, quando está machucada e se sente acolhida”.

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Na abordagem psicossomática, que busca sempre uma interface entre o físico e o psíquico, esse acolhimento da mãe, com um gesto de afeto, pode afetar profundamente o que a criança vai sentir emocionalmente e tranferir para o físico. O entender que ela passou por um momento difícil, que a assustou e provocou dor, faz também com que a criança não tenha medo de demonstrar sua fragilidade. Vai além do chamado “efeito placebo” dos comprimidos feitos de açúcar, mas que se o paciente “acredita” tratar-se de um tratamento que vai curá-lo, passa efetivamente a sentir-se melhor.

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“Há um conceito interessante do psicanalista inglês Donald Winnicott, conhecido como “holding” (ou acolhimento) que explica esse fenômeno de a mãe oferecer aconchego, como se fosse uma continência que ela dá ao bebê, quando entende a sua dor e o ajuda a se sentir integrado, quando suas necessidades são percebidas. Esse holding é o que possibilita todo o desenvolvimento da criança e a estruturação do ego”, explica a Dra. Manuela. O mais importante, segundo ela, é junto com o cuidado de fazer um curativo, ou oferecer o tal beijinho no dodói, dividir com a criança uma experiência parecida que teve na sua infância: uma queda, ou um machucado e ajudá-la a perceber que como passou para a mãe, logo passará para ela também.

Fontes: Pittsburg University | Minha Vida | Momsxyz.com | Dra. Manuela Fereira de Sousa
Fotos: Google FreeShare
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