Troque os alimentos ultraprocessados por comida de verdade

Cuidar da sua alimentação e de todos da sua família significa também entender que tipo de comida é mais saudável para você e principalmente para as crianças, que desde pequenas podem adquirir bons ou péssimos hábitos alimentares. Quem é mãe, como eu, sabe a responsabilidade que é não apenas servir uma refeição nutritiva, mas dar o exemplo de comer o que é realmente saudável. Claro que nem sempre dá pra se viver no melhor dos mundos onde a gente facilmente encontra tudo fresquinho e orgânico, nem sempre dá tempo de “fazer” a sua própria barra de cereais (mas dá pra fazer, viu? Vou rever se dei receitas aqui no blog e se não dei, serão as próximas!), mas dá para usar um mínimo de processados e principalmente ultra processados e ter uma base de alimentação “in natura”.

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Minha health coach, Marissol Rios, sempre ressalta essa máxima de evitar dar às crianças alimentos ultra processados, só porque são mais fáceis de introduzir na hora do lanche ou da refeição. Pra entender melhor, talvez você precise saber o por quê.

A grande maioria dos alimentos que consumimos atualmente passa por algum tipo de processamento – a definição de processamento é dada  pelo conjunto de métodos que tornem os alimentos comestíveis, garantam a segurança alimentar e conservem os alimentos por um determinado período.

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Com o advento da industrialização, o processamento de alimentos cresceu rapidamente e houve uma grande transformação, graças à ciência dos alimentos e a novas tecnologias. Diante dessas mudanças, surge a necessidade de um exame rigoroso dos impactos que todas as formas de processamento têm sobre os hábitos e padrões de alimentação, e sobre a nutrição, a saúde  e o bem estar. Resultado de uma parceria entre o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens FSP-USP) e o Ministério da Saúde, o Guia Alimentar para a População Brasileira foi lançado em novembro de 2014, e propõe uma  nova classificação dos alimentos, baseados no grau de processamento, substituindo a classificação da pirâmide alimentar que foi abolida desde o ano de 2010. O guia é reconhecido internacionalmente, e foi apontado como “as melhores diretrizes nutricionais do mundo”. Os alimentos foram divididos em quatro grupos.

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Grupo 1 – Alimentos não processados (in natura) ou minimamente processados

Os alimentos in natura são obtidos diretamente de plantas ou animais e não sofrem qualquer alteração após deixarem a natureza. Alimentos minimamente processados correspondem a alimentos in natura que foram submetidos a processos de limpeza, remoção de partes não comestíveis ou indesejáveis, fracionamento, moagem, secagem, fermentação, pasteurização, refrigeração, congelamento e processos similares que não envolvam agregação de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias ao alimento original. O objetivo do processamento minimo é tornar os alimentos mais disponíveis e acessíveis, e muitas vezes mais seguros e mais palatáveis. Os alimentos que fazem parte desse grupo são: carne fresca, leite, grãos, nozes, legumes, frutas e hortaliças, raízes e tubérculos, chás, café, infusão de ervas, águas de torneira e engarrafada.

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Grupo 2 – Ingredientes culinários e industriais

O segundo grupo inclui substâncias extraídas e purificadas pela indústria a partir de alimentos in natura ou obtidos direto da natureza, a fim de produzir ingredientes culinários para a indústria de alimentos ou para o consumidor final. Os processos utilizados são: pressão, moagem, refino, hidrogenação e hidrólise, utilização de enzimas e aditivos. Estes processos são diferentes daqueles utilizados na obtenção de alimentos minimamente processados​​, porque mudam radicalmente a natureza do alimento original. Normalmente, os produtos alimentares do Grupo 2 não são consumidos sozinhos, e têm maior densidade de energia e menor densidade de nutrientes em comparação com os alimentos integrais a partir dos quais eles foram extraídos. Eles são utilizados nas casas, em restaurantes, na preparação de alimentos frescos ou minimamente processados para criar preparações culinárias variadas e saborosas, incluindo caldos e sopas, saladas, tortas, pães, bolos, doces e conservas, e também na indústria para a produção de alimentos ultraprocessados. O Grupo 2 é composto pelos seguintes alimentos: amidos e farinhas, óleos e gorduras, sais, adoçantes, ingredientes industriais, tais como frutose, xarope de milho, lactose e proteína de soja.

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Grupo 3 – Alimentos processados

Alimentos processados são fabricados pela indústria com a adição de sal, de açúcar ou de outra substância de uso culinário a alimentos in natura para torná-los duráveis e mais agradáveis ao paladar. São produtos derivados diretamente de alimentos e são reconhecidos como versões dos alimentos originais. São usualmente consumidos como parte ou acompanhamento de preparações culinárias feitas com base em alimentos minimamente processados. Alguns exemplos de alimentos processados são: cenoura, pepino, ervilhas, palmito, cebola e couve-flor preservados em salmoura ou em solução de sal e vinagre; extratos ou concentrados de tomate (com sal e ou açúcar); frutas em calda e frutas cristalizadas; carne seca e toucinho; sardinha e atum enlatados; queijos; e pães feitos de farinha de trigo, leveduras, água e sal.

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Grupo 4 – Alimentos ultraprocessados

Alimentos ultraprocessados, produtos que estão prontos para consumo, necessitando de aquecimento ou não, são formulações industriais feitas inteiramente ou majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amido, proteínas), derivados de constituintes de alimentos (gorduras hidrogenadas, amido modificado) ou sintetizadas em laboratório com base em matérias orgânicas como petróleo e carvão (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários tipos de aditivos usados para dotar os produtos de propriedades sensoriais atraentes). Técnicas de manufatura incluem extrusão, moldagem, e pré-processamento por fritura ou cozimento. O objetivo do ultraprocessamento é tornar o alimento atraente, acessível, palatável, apresentar longa vida de prateleira e praticidade.

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Impacto no ambiente

A manufatura, a distribuição e a comercialização de alimentos ultraprocessados são potencialmente danosas para o ambiente e, conforme a escala da sua produção, ameaçam a sustentabilidade do planeta. Isso fica simbolicamente demonstrado nas pilhas de embalagens desses produtos descartadas no ambiente, muitas não são biodegradáveis, desfiguram a paisagem e requerem o uso crescente de novos espaços e de novas e dispendiosas tecnologias de gestão de resíduos. A demanda por açúcar, óleos vegetais e outras matérias-primas comuns na fabricação de alimentos ultraprocessados estimula monoculturas dependentes de agrotóxicos e uso intenso de fertilizantes químicos e de água, em detrimento da diversificação da agricultura. A sequência de processos envolvidos com a manufatura, a distribuição e a comercialização desses produtos envolve longos percursos de transporte e, portanto, grande gasto de energia e emissão de poluentes. A quantidade de água utilizada nas várias etapas da sua produção é imensa. A consequência comum é a degradação e a poluição do ambiente, a redução da biodiversidade e o comprometimento de reservas de água, de energia e de muitos outros recursos naturais.

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Ou seja, quanto mais a base da nossa alimentação puder ser “in natura”, tanto melhor para nossa saúde e para o meio ambiente. Simples assim.

Marissol Rios ainda acrescenta outros dados, quando ressalta a necessidade dessa reeducação alimentar tão necessária, já que os ultra processados são os grandes vilões da obesidade infantil e em todas as idades  :

🗯 2,8 milhões de pessoas morrem por ano como resultado do excesso de peso.

🗯 49% dos Brasileiros estão acima do peso, 15% são obesos, e 36,6% das crianças brasileiras estão acima do peso.

🗯 o Brasil é o segundo país em que a obesidade mais cresce, estando atrás apenas dos EUA.

🗯 já houve época em que a falta de peso matava mais que o excesso de peso. Hoje em dia a situação se inverteu.

🗯  41 milhões de crianças menores de 5 anos estão obesas no mundo.

🗯 Mais de 50% das empresas que atuam no Brasil não oferecem quaisquer incentivos para que seus colaboradores tenham uma alimentação saudável.

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Assim sendo, segundo ela, o que nós precisamos é de comida de verdade, precisamos de mudança de hábito e comportamento, precisamos principalmente ensinar nossas crianças. Precisamos que os pais comam certo para que possam educar seus filhos, precisamos de alimentação como conteúdo obrigatório na escola ! E precisamos estar de olho no que é servido às nossas crianças na escola e protestar!

O que podemos fazer a respeito?

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✔️converse com as crianças sobre as questões alimentares. Conversas profundas sobre comida de verdade, inspiram as pessoas a terem bons hábitos.
✔️estimule as pessoas a cozinharem sua própria comida.
✔️saiba de onde a comida que você come vem,  como é feita.
✔️ evite alimentos processados industrialmente ricos em açúcar refinado, sal e gorduras e promova o consumo de alimentos saudáveis e a prática de atividade física, incentivando o controle de peso.

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Se conseguirmos isso, já estamos fazendo um bom trabalho por nós, por nossos filhos e pelo planeta. Bora comer comida “de verdade”! :)

Fontes: Marissol Rios e eCycle
Fotos: Google FreeShare

 

 

 

 

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